Maio/Junho- 2007 - Ano XI - N. 111

"A Terra é azul !"
Neil Armstrong, ao pisar na Lua.

Vista do espaço longínquo, nosso planeta mãe é azul, cor que sugere paz, tranqüilidade e expansão. Visto da Terra, o céu também é azul, cor relacionada à sorte. E é uma grande sorte estarmos aqui. No entanto, temos a enorme responsabilidade de preservar nosso planeta, para que continue sendo visto do espaço como um globo azul.

Adotou-se 5 de junho como o "Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente"... Este dia, que poderia ser também chamado de "Dia da Terra", foi escolhido num signo inadequado (Gêmeos). Talvez por isso, fala-se muito sobre a questão, mas faz-se pouco no nível concreto.

Parece não haver um verdadeiro interesse na preservação do planeta. Muitas vezes temos visto conspirações que podem macular este azul terrestre. Derrama-se óleo nos oceanos, devastam-se florestas, libera-se material radioativo na atmosfera e detritos nos rios e mares.

A Mãe-Terra é um grande corpo vivente, e nós somos uma espécie de bactéria que ali se prolifera. Ela tem em nós os mesmos problemas que temos com os vírus e bactérias que nos ameaçam. Quando surge um novo microrganismo letal, deveríamos meditar acerca do nosso papel de bactérias terrestres: como estamos ameaçando este grande ser do qual nos alimentamos e dependemos. Somos sanguessugas da Terra, apesar de que a grande mãe tem suficiente alimento para nos prover. O problema é que às vezes ultrapassamos os limites.

A raça humana deveria mudar seu enfoque e entender que tudo é espelho. O que está embaixo é como o que está em cima. Quando surge um vírus Ebola, da Aids ou uma super bactéria, deveríamos esquecer o microscópio e meditar até que ponto nós próprios estamos aumentando nossa carga destrutiva para o planeta. A salvação e cura desses vírus não será encontrada neste mundo microscópico, mas, sim, no nível macroscópico, quando o homem aprender a olhar para si e ver que tem duas opções: ser célula ou bactéria da Mãe-Terra. Quando aprender a comungar-se com o infinitamente grande, o homem estará livre da ameaça do infinitamente pequeno.


Março/Abril - 2007 - Ano XI - N. 110

"O Universo não existe lá fora, independentemente de nós. Estamos inevitavelmente envolvidos na criação daquilo que parece estar acontecendo. Não somos apenas observadores. Somos participantes. De uma maneira estranha, este é um Universo Participante".
(Jonh Wheeler, físico)

Nós somos tudo. Temos a parte do santo em êxtase, que se entrega à adoração da divindade, mas contemos também o lado escuro da natureza humana, que abriga todos os defeitos, vícios e mazelas que identificamos no lado marginal da sociedade. Temos o Pequeno Príncipe e o Menino de Rua na nossa alma. Podemos reconhecer apenas o nosso lado mais brilhante; no entanto, cá no fundo, nós sabemos da nossa verdade. E se não sabemos, nossa alma sabe. Não, nós não somos inocentes.

Querer separar a vida em bem e mal, em certo e errado, em honrados e corruptos, pode ser importante no nível existencial, uma vez que vivemos num mundo polarizado, onde a separação é a regra, para que através do "não eu" possamos definir o "eu". Este é o imposto que pagamos por "Conhecer". Só podemos conhecer e entender aquilo que objetivamos, separando e isolando de nós. Para conhecer é necessário perder a inocência. A árvore cujo fruto causou a expulsão de Adão do Paraíso chamava-se: "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal"; o ingresso no mundo da polarização, o pecado original. Por isso, não somos inocentes; somos participantes. Co-participantes. Nascemos todos com o pecado original, a perda da totalidade, a divisão, a polarização.

Devemos e temos que lutar por um mundo que entendemos melhor, que abrigue e traga segurança aos nossos filhos. Mas, a despeito disso, é importante lembrar que estamos inextricavelmente envolvidos em tudo que está acontecendo: é uma parte nossa que está acontecendo lá fora.

Nossa responsabilidade é global. Nossa ações são globais. E nossos julgamentos, na verdade, são auto-julgamentos. Estamos constantemente nos julgando através dos outros. O Universo não existe lá fora, e isso, antes de ser motivo de pesar, é a dádiva mais linda da vida.


Janeiro/Fevereiro - 2007 - Ano XI - N. 109

RECEITA DE ANO NOVO


Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Novembro/Dezembro - 2006 - Ano XI - N. 108

LUZ E CONSCIÊNCIA

Enquanto você resiste atrai o objeto da sua resistência. Deixe de resistir, respire e ele desaparecerá, a tensão desaparecerá.
Fala-se muito em consciência. E consciência é luz. Luz que clareia, dissipa trevas. Trevas que abrigam ilusões, incertezas, fantasmas. Que se dissipam com a luz. Com a consciência.
Infelizmente muitos pensam que curar é resolver ou se livrar do problema. Eu diria que curar é entender o problema. E é assim que a astrologia e todas as práticas alternativas atuam. Iluminando, trazendo a compreensão. A cura pela Luz - que é a consciência. O entendimento que traz o alívio.
Abrir caminhos em nossa vida para a Luz é abrir caminhos para uma maior consciência. Expansão da consciência é exatamente acessar outros planos da realidade não física. É acessar um espaço onde o livre arbítrio impera, já que toda escravidão pertence ao reino do inconsciente.
O que tentamos fazer é deslocar nossa consciência da janela pela qual ela observa os fatos da vida.
Imagine que há uma janela agressiva, outra amorosa, outra distante e indiferente, outra sensível... Abrindo mais e mais janelas percebemos que no final das contas somos apenas observadores deste ilusório mundo que nos cerca.
Olhar amorosamente... O olhar amoroso acolhe e desperta a centelha divina em cada ser para o qual se direciona. O olhar crítico é cerebral, masculino, pode sacudir, mas não despertar.
O olhar feminino pode transformar a pior espécie reintegrando-a ao caminho da luz.

Que os véus dissipem-se dos meus olhos
Do meu coração
Da minha alma
Para que o Sol que sempre aqui esteve
Possa agora ser visto
Sentido
Por todo o meu ser
Por toda a eternidade

Que a energia divina que emana do nosso ser se expanda ao infinito e nos faça brilhar, estrelas que somos, partículas divinas da criação
Que a energia divina se expanda ao infinito e nos envolva no manto sagrado da luz, no tubo de luz líquida e brilhante que nos conecta a toda criação
E conectados nos tornamos unos, unos a tudo que existe, em todas as infinitas dimensões.

Paula Salotti


Setembro/Outubro- 2006 - Ano XI - N. 107

UNIVERSUS 12 ANOS!

Você consegue Ser sem Ter?
Acumular, comprar, possuir, fabricar...
Escravidão.
Escravidão a uma ilusória aparência, frágil, inconsistente, inconstante, que só faz aumentar o vazio e o anseio por algo que desconhecemos mas que necessitamos desesperadamente... E mais acúmulo, mais posses, mais vazio. Pensava no Ter e Ser ao escrever sobre esta importante edição. Universus faz 12 anos!

Doze são os signos do Zodíaco, o Enforcado do Tarot, um ciclo de Júpiter concluído...

Na Roda Zodiacal, o décimo segundo estágio representa a fase na qual somos preparados para um novo nascimento, o recomeço do ciclo em outra dimensão. Na espiral evolutiva cada recomeço nos lança em uma perspectiva maior.

Casa 12, Peixes, o Enforcado. A experiência da inversão de valores, desapego, despojamento. Saber estar vazio para que o novo encontre espaço ao chegar.

O Enforcado , ao contrário do nome, está pendurado pelos pés. Ao contemplarmos este arcano, é comum surgir uma sensação de desconforto por sua incômoda posição. O Enforcado está amarrado pelos pés, de cabeça para baixo, e de suas mãos deixa cair moedas. É comum este arcano refletir um momento de prisão - como os antigos significados atribuídos a casa 12 astrológica - quando estamos literalmente de mãos atadas, sem nada poder fazer e, ainda por cima, tendo que nos desapegar daquilo que representa nossa segurança (as moedas). Sem dúvida, não é um dos momentos mais tranqüilos da vida, mas com certeza é um dos mais ricos e promissores, uma vez que sugere transição. Não a transição rápida, que leva a uma mudança súbita de vida ou de situação, mas a alteração de valores, a mudança de perspectiva, quando passamos a ver o mundo de cabeça para baixo, resultando na total perda do sentido do que antes nos motivava. Como a casa 12 e Peixes, este símbolo nos ensina uma postura de interiorização, renúncia dos desejos mais egocêntricos, desprendimento e caridade. É quando estamos mais sensíveis a tudo que nos cerca, e quanto mais focalizarmos nossa compaixão na dor alheia, menos tempo teremos de lamentar a nossa. Estes símbolos só representarão algum sacrifício para aqueles que insistirem em se manter apegados a situações, valores e idéias enraizadas e egóicas.

Na linguagem simbólica, esse princípio que dissolve, que iguala, nos mostra a cada instante que quando nos gabamos felizes porque descobrimos quem ou o que somos, é porque já não somos mais. Este constante aprendizado da ilusão do eu, do mundo exterior que nos cerca e de tudo que nele está - coisas, pessoas, situações - é tão real quanto o mundo interior das nossas crenças, pensamentos e identidades, que quando se cristalizam, nos dão o primeiro sinal que é hora de abandoná-las para que a vida siga seu fluxo.

E havendo ou não frutos, é pelo sonho que vamos...
Na tradução astrológica diríamos: que frase netuniana! É Netuno que nos presenteia com o sonho ou a capacidade de abrirmos nossa via a ele. Sonhar sem ter o compromisso de materializar o sonho, ação sem recompensa.

Sempre que estamos concluindo uma edição de um jornal alternativo, concluímos junto com a sua execução que "é pelo sonho que vamos..."

Caminhamos numa direção desconhecida, sem saber o que nos espera, sem caminhos traçados, garantias e certezas, caminhamos nessa infinita estrada chamada vida.

Felizes pelo sonho, pelo caminho traçado, pela divulgação das idéias que acreditamos, estamos aqui há 12 doze anos!

Paula Salotti


Maio/Junho- 2006 - Ano XI - N. 103

Aos Filhos de Netuno

Sem palavras, sem poesia, sem mistérios a desvelar, sem paixões, sem vícios...
Netuno.
Este estado liquefeito da alma, que se dissolve a cada passo, a cada momento.
Vazio. Vazio de ser, de sentir, de pensar. Vazio de histórias, de passado. Vazio de presente e futuro.
Netuno.
Desintegra, desfaz, desmancha os sonhos no ar, transcende, ilumina, neutraliza, esfria.
Quanto espaço vazio, quanta falta. Falta de Deus, de existência.
Falta de ar, de pensar.
Netuno.
Totalidade, preenchimento, sonho, aflição, paraíso, tentação.
Encanto, magia fugaz, desilusão
Águas turbulentas, dissolução
Um divino chamado
A entrega da alma
Traição
O ilusório arco-íris da superfície da bolha de sabão que não resiste ao toque e desaparece no ar como se nunca tivesse existido.
Nas águas de Netuno aprendi o nada que faz sentido, nada, que importa, nada, que sustenta nada, que aproxima.
Nado nas águas de Netuno e me afogo em suas profundezas.
Do nada vim,
Para o nada vou,
No nada estou...

Paula Salotti


Março/Abril- 2006 - Ano XI - N. 104

PRECE
Fernando Pessoa

Senhor que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também.
Onde nada está tu habitas e onde tudo está -( o teu templo ) - eis o teu corpo.
  Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
  Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como irmãos e servir-te como a um pai.
  Minha vida seja digna de tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
  Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; torna-me puro como a lua, para que eu possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
  Senhor, protege-me e ampara-me.
Dá-me que eu me sinta teu.
Senhor, livra-me de mim.



Janeiro/Fevereiro- 2006 - Ano XI - N. 103

Dimensões, dimensões, dimensões...
Em qual dimensão você vive? Através de qual perspectiva enxerga a vida?
É notável como nossa consciência vai acessando dimensões diferentes à medida que evoluímos.
Vivemos num mundo tridimensional e, portanto, nosso enfoque do mundo assim se faz. Tempo, espaço, matéria, gravidade, tudo isso de certa forma nos aprisiona a um mundo lógico, concreto, que se explica por fórmulas compreensíveis para a mente analítica.
Quando começamos a expandir nossa consciência, começamos gradativamente a alargar esse espaço e a experimentar outras formas de realidade.
Em tempos remotos, expandir a consciência foi poder um dia sair da segunda para a terceira dimensão, quando a única possibilidade era a visão linear da vida - a trajetória percorrida de um ponto a outro em linha reta - sem reflexões, desvios, possibilidades, probabilidades. Destino.
A evolução nos fez subir um nível.
Consciência coletiva expandida, terceira dimensão percebida, mas tida como única realidade.
É interessante como acreditamos que o limite é sempre nossa realidade atual. A experiência de outros corpos, outros mundos, outras vidas assusta tanto quanto um dia a tecnologia assustou as mentes que não encontravam explicações lógicas para tais "fenômenos".

"Nós vemos aquilo que acreditamos, e não o contrário. E para mudar o que nos vemos, às vezes é necessário mudar o que acreditamos." (Jeremy Narby) "

Hoje, estabelecidos na tão conhecida terceira dimensão, podemos caminhar para quarta, quinta, ou até mesmo sexta, sétima...
Ao sairmos da terceira dimensão rompemos o nosso grande limite - o tempo cronológico, a matéria, a gravidade - e entramos no campo traduzido por muitos sábios atuais e antigos da ciência, filosofia e religião como o campo de infinitas possibilidades. O mundo das idéias de Platão, o campo unificado de Einstein, o inconsciente coletivo de Jung, a memória akáshica, espaço quântico... Quantas experiências maravilhosas tivemos acesso desde que nos foi permitido acessar esses outros estados de consciência!
Ir além da terceira dimensão é ir além de tudo o que nos limita, intimida, retrai, envelhece. É acessar um plano onde tudo que será manifestado ainda existe em estado puro, matéria moldável, esperando que nossa mente concreta possa traduzir a complexidade do invisível para fórmulas que um dia serão compreendidas e a muitos ajudarão em seus saltos.
Escrevo esse editorial profundamente tocada pela matéria que está na página central desta edição - Criando a Sua pirâmide de Poder - uma canalização que nos oferece dicas para acessarmos uma dimensão superior. É sem dúvida uma matéria para ser lida, relida, praticada e assimilada.
Compartilhar este texto me traz grande alegria, pois sei que muitos criarão sua Pirâmide de Luz, abrindo através dela um poderoso atalho para outras dimensões de consciência, facilitando a libertação do ego e a dissolução de todos os sentimentos que ainda insistem em manter densos nossos corpos emocionais, impedindo que boiemos soltos, livres e relaxados nesse grande oceano cósmico com a leveza que só aqueles que possuem a plena confiança (que alguns chamam de fé) podem obter.
Agradeço por esta canalização de Ronna Hermann. Agradeço a todos os mestres que nos amparam pela luz. Luz que nos é enviada também através das palavras.
Em comunhão, luz e paz .:. Om Shanti .:. Shalon



Novembro/Dezembro- 2005 - Ano XI - N. 102

"A grande maioria do Universo nada mais é do que espaço vazio. Da mesma forma, um átomo é composto em sua maioria de vazio; o corpo humano, se fosse examinado com lente de aumento, também pareceria um grande espaço vazio, cheio de pequenas concentrações de energia pulsante. O vazio, do mesmo modo, domina a psique; entretanto, na introspecção, o vazio está repleto de consciência e felicidade." (Nik Douglas)

No fundo, na quintessência, nós somos feitos do nada, por mais que possamos tocar nossa pele e jurar que a matéria é real. Quando os cientistas decompõem a matéria até chegarem próximos às menores dimensões conhecidas, verificam que o átomo é quase que inteiramente espaço vazio, e o que resta de aparentemente "material", os elétrons e as partículas subatômicas, comportam-se como pura energia: ainda ali não há nada rigidamente material!

O mundo físico não é mais que "energia congelada", a ilusão das formas que os hindus chamam de "Maya". No fundo, a matéria é pura energia, pura luz, como mostra a fórmula da "Teoria da Relatividade" de Einstein: E=mc2. Quando os físicos quânticos calculam a quantidade mínima de energia que uma onda pode ter, encontram que cada centímetro cúbico de espaço vazio contém mais energia do que a energia total de toda a matéria do universo conhecido! Existe um grande poder no vazio, no nada.

Na filosofia budista, o almejado estado de consciência denominado "Nirvana", também significa o mesmo que nada (literalmente, dissolução). Segundo todas as tradições espirituais desenvolvidas, encontramos a Unidade apenas nesse vazio, onde as polaridades e contradições se dissolvem, onde os paradoxos se reconciliam: no nada encontramos a totalidade! Esta visão mística da realidade é uma das maneiras de dizer que o Universo é feito e sustentado pela bem aventurada Vontade de Deus, que é Tudo no Nada. Nele nos movemos e temos nossa existência, e à sua imagem também somos Tudo no Nada.

O fim de ano sempre traz um sentimento de espiritualidade e fraternidade entre os homens. As perspectivas e anseios inerentes a um novo ano do calendário nos despertam sentimentos de progresso e melhoria. Universus - O Jornal do Amanhã - traz uma mensagem diferente para você, caro leitor. Que no seu planejamento para 2006, dentro do natural anseio de progresso, conquistas e melhorias, não deixe de reservar um pequeno espaço para o vazio, a ausência, o nada. Apenas algum tempo para meditação e silêncio.

Otávio Azevedo


Setembro/Outubro- 2005 - Ano X - N. 101

SETEMBRO DE 2005:
UNIVERSUS FAZ 11 ANOS

Nesta edição de 11 anos, UNIVERSUS e os leitores estão ganhando um presente! Passaremos a contar com a colaboração de Chara, ativista da causa animal que assinará a coluna "Nossos amigos animais".
É com grande alegria que abrimos esse espaço para que possamos nos unir ao grande número de grupos que atuam na defesa desses irmãos que tanto dependem de nós em suas trajetórias evolutivas.
UNIVERSUS sempre estará de páginas abertas a toda manifestação, denúncia de maus tratos, abandonos, assim como para as conquistas da causa, que hoje, graças às pessoas amorosas que por eles vivem, são muitas.
Nesses 11 anos acompanhamos e nos transformamos com a chegada dos novos tempos e novos modelos de consciência, mas nossas motivações são as mesmas. E nada melhor que recordar através do texto ao lado o que era escrito na apresentação do número 1, que continua sendo nosso sentimento na edição 101, 11 anos depois...
Ah, e as "modelos" que inauguram a página de Chara são a Kika e a Pipoca, duas filhotas especiais clicadas pela "mãe" coruja!

Om Shanti .:. Paula Salotti

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As avaliações feitas a cada conquista nos levam a perceber que não alcançamos nada sozinhos.
Se algo construtivo foi feito, o maior responsável é você, que nos manteve e mantém com seu apoio, carinho e compreensão.
Sem você, nenhuma evolução teria sido possível e este jornal não teria razão para nascer.
Por isso, Universus é dedicado a você...
Aluno, professor, amigo, cliente, leitor, enfim, nossa Casa 11.
Muito Obrigado mesmo!

OTÁVIO AZEVEDO E PAULA SALOTTI
SETEMBRO DE 1994

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Julho/Agosto- 2005 - Ano X - N. 100

O ÚLTIMO VÔO

Nesta edição, Universus chega ao número 100.
Escrevendo e refletindo sobre o simbolismo desta marca tão especial, recebo uma notícia que chega de surpresa, sem pedir licença, paralisando as idéias, trazendo o silêncio, trazendo o vazio.

O vazio... Morte, libertação, transcendência, transformação, evolução.
O eterno retorno. O retorno ao eterno.
De quem fica, a saudade.
De quem parte, a liberdade.
Vera Tanka está agora nas dimensões que nos permitem voar.
Companheira de tantos Universus, nos acompanha agora dos universos que tanto conhecia.
Tradutora da natureza, dos bichos, das pedras e plantas, transmitiu a leveza do ar, a firmeza da terra, o calor do fogo, a fluidez da água...
Inspirando, despertando, lançou sementes.
E palavras são sementes. Tanka sempre semeou.
Generosamente.
Semeou, e sem dúvida continuará semeando. Sementes que desabrocharão e produzirão novas sementes, perpetuando assim o conhecimento sagrado.

Obrigada por tudo que aprendemos com você.
Obrigada pelas palavras semeadas em tantos Universus(os).

AHO! .:. Paula Salotti


Maio/Junho- 2005 - Ano X - N. 99

Deliciosas Polêmicas

Do outro lado da linha, uma leitora apreensiva: - "Ela me disse que isso é um absurdo. Afinal, o jornal é ou não responsável pelas matérias publicadas?"
Como de praxe, a resposta automática: -"Os jornais não se responsabilizam pelas opiniões emitidas nas matérias assinadas". Mas, no mesmo instante, ao acabar de dizer isso, penso e me contradigo de imediato: - "Não, mas aqui esta regra encontra uma exceção. Me responsabilizo por cada opinião aqui emitida. Escolho sim, acredito, gosto e quero compartilhar.
E, pensando bem, acho que é assim com toda publicação. Para que haja uma linha editorial, escolhas devem ser feitas e, essas escolhas, por mais aleatórias que sejam, sempre irão refletir algo de quem as escolhe. Mesmo que esse algo seja mascarado por motivos como o gosto popular, o que faz sucesso ou que dá ibope.

E tudo isso em função da matéria sobre o DNA publicada na edição anterior. Muita polêmica, muitos comentários e, no telefonema citado, a indignação vinha da amiga geneticista da leitora que, cumprindo bem o seu papel de cientista, descartava qualquer possibilidade diferente das estudadas e "comprovadas" até então.

Sem desmerecer tudo de bom que os cientistas e a ciência nos proporcionam, indagamos qual o meio que mais precisa eliminar antigos conceitos em função de novos? Ou assumir que verdades inabaláveis de ontem, hoje não mais se sustentam?

Basta darmos uma rápida olhada na história e veremos como grandes verdades foram desbancadas por novos conceitos, que foram ultrapassados e novamente ultrapassados e... assim caminha a humanidade! De forma maravilhosa, evoluindo constantemente, quando permitimos que a natureza encontre expressão e liberdade. Caso contrário, com atrasos e estagnações, quando esse fluir encontra a resistência vinda daqueles que tentam eternizar a "verdade em vigor", como se fosse a única possibilidade existente.

"Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica." (Arthur C. Clarke)

Centenas de anos antes de cristo. Será que precisamos ir tão longe? Não! Eletricidade, mecânica, informática, medicina nuclear, etc. Há pouquíssimo tempo atrás, mesmo o homem mais moderno, crucificaria como obra do mal ou mera invenção da mente desocupada aquilo que um dia seria descoberto, explicado, usado e caducado. Como em todo o caminhar científico, um dia as idéias foram apenas idéias. Idéias captadas por mentes inquiridoras e abertas à exploração do novo.

Mentes que ousaram e ousam desafiar paradigmas são e serão sempre castigadas. Como se ainda carregássemos com muita força em nosso ser a semente do pecado. O conhecimento é a luz que liberta o ser de toda escravidão, seja ela religiosa ou científica, e essa libertação dificilmente é perdoada.

Isso tudo me faz lembrar como, no próprio meio científico, os gênios são classificados: primeiro, como aqueles que estudam muito uma idéia, chegando tempos depois a um resultado genial. Segundo, como os que descobrem o resultado e só depois vão estudar e descobrir o que gerou esse resultado, ou seja, primeiro descobrem a resposta, para depois formular a pergunta!

E grande parte das idéias que alavancam a nossa evolução apresentam-se assim, como respostas prontas à espera da investigação e experimento. Algo terrível é vermos fantásticas idéias que podem trazer o amanhã, sendo embaladas e apresentadas com conceitos de ontem, e por isso, impiedosamente abortadas.

Mas já que uma idéia gerou tanto frisson, vamos mais fundo. Nesta edição temos mais DNA, mais quarta dimensão e um pedido: acreditando ou não, fazendo sentido ou não, que a mente de todos nós esteja cada vez mais aberta, liberta, para que o novo expanda fronteiras. Só assim entraremos na era que pede que conceitos e preconceitos sejam definitivamente eliminados e o campo unificado descrito pelo mestre Einstein, possa de fato ser experimentado!

Om Shanti .:. Paula Salotti

"Aqueles que dançavam eram considerados totalmente insanos por aqueles que não conseguiam escutar a música." Ângela Monet


Março/Abril - 2005 - Ano X - N. 98

ESTAR no Mundo SEM SER do Mundo

No início do ano ganhei um verdadeiro presente da natureza que foi poder estar ao lado de um pujari indiano. Em poucos dias pude ver e aprender na prática o que tantas escolas, mestres e livros tentam ensinar na teoria.

Convidado para o encerramento do Curso de Professores de Yoga Sivananda, o pujari - filho de uma linhagem de guardiões de templos - passou alguns dias entre nós realizando pujas (rituais) e compartilhando sua sabedoria com espontânea e comovente simplicidade.

Presenciamos a execução de verdadeiras obras de arte realizadas com farinhas e grãos que, em algumas horas, transformavam-se em enormes mandalas, coloridas, com simetrias perfeitas, simbolizando o ritual que seria realizado em seguida.

Observar o pujari criando tais obras foi fantástico. Ao construí-las, além da habilidade impressionante, a expressão natural de concentração por horas seguidas era contagiante. Simplesmente ele estava ali, totalmente presente, totalmente envolvido com o que suas mãos, seu corpo e seu cérebro executavam. Presenciar isso já foi uma aula, uma lição.

Mas ao fim dos rituais a pergunta era sempre a mesma: "E agora, onde guardamos a mandala?" Que era respondida com sábia simplicidade: "Devolvam-na à natureza!" O que para nós (ocidentais - que insistimos em congelar, fotografar, eternizar) era traduzido por: "Jogá-la fora? Desmanchar essa obra assim, sem mais nem menos, depois de horas dedicadas à sua confecção?" Pois é... Jogávamos a grande tábua com a mandala nos jardins, que desmanchava-se com a rapidez que a vida costuma soprar aqueles castelos que às vezes levamos tempos para erguer. Em um segundo as farinhas e os grãos coloridos misturavam-se, desfazendo as formas, o trabalho de horas, o desenho perfeito... E no dia seguinte, outra mandala era criada, com a mesma alegria, com o mesmo prazer, como se fosse a primeira, como se fosse a única. Como se fosse para sempre.

Estar no mundo sem ser do mundo.
Ter sem possuir.

Em alguma vida aprendo...


Janeiro/Fevereiro - 2005 - Ano X - N. 97

Passeando por vários textos para montar esta edição, me deparei com a seguinte frase: "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro". Guardei-a no arquivo de frases interessantes e continuei o trabalho. Mas, entre os textos, frases, imagens e milhares de palavras que sempre se misturam em cada jornal, ela continuava a aparecer com vida própria - condição comum às idéias que pairam no ar, exigindo seu espaço, sua expressão. E assim, ela se fez presente de tal forma, que foi impossível não dedicar este editorial a ela. O que dizer a respeito? Nada. Já está dito, simplesmente traduzido.

No meio de inúmeros textos onde a mensagem principal é o novo ano, seu sentido ganhou ainda mais força. Num momento onde estamos voltados para o que fazer depois, o que mudar, listas, objetivos, planejamentos, seu sentido nos faz pensar. Pensar e mudar. Mudar o rumo, o enfoque, a postura. Seu sentido nos faz parar! Se pararmos um pouquinho para olharmos ao redor... quanta vida acontecendo. Quanta vida tem sido jogada fora no caminhar inconsciente. O futuro que nos angustia ou que só produz expectativas, nos afasta cada vez mais de nós mesmos. A felicidade que marca um encontro no próximo mês, na segunda feira, no ano que vem, vai ficando cada vez mais distante e, seguimos hipnotizados, como o burro que segue a cenoura, iludido que um dia a alcançará, sem entender que ela já está presente, disponível.
Mas, o melhor mesmo é dizer isso de forma poética! Então, com a palavra, Toquinho, que traduziu tudo isso em sábia poesia:
... e o futuro é uma astronave
que pensamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de voltar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
e depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar...

Om Shanti .:. Paula Salotti


Novembro/Dezembro - 2004 - Ano X - N. 96

Dentre as várias sugestões de pauta que nos chegam, a alimentação está sempre presente.

Posso dizer que o Universus é um jornal vegetariano, de alma vegetariana. Nossa filosofia - ecológica, psicológica, espiritual - reverencia o macro: deuses, planetas, o cosmos, sem deixar de reconhecer e reverenciar com o mesmo respeito no microcosmo, o lampejo divino presente em tudo que possui vida.

A evolução natural de nossa espécie fatalmente trará uma mudança radical em nossos hábitos de vida. Tenho certeza que a principal mudança que marcará esta (r)evolução será em nossos hábitos alimentares. Muitos sequer cogitam tal possibilidade, mas basta que lembremos que há poucos milhares de anos atrás, éramos "das cavernas" e comíamos a presa muitas vezes fresca - fato normal, mas motivo de repugnância para muitos. Hoje, continuamos matando para comer, só que de uma forma mais covarde e passiva. Apenas trocamos as presas frescas ou quase frescas, por cadáveres congelados e temperados. No dia que matar para comer - seja de que forma for - gerar a mesma repugnância que sentimos pelos hábitos de nossos ancestrais, a evolução coletiva estará de fato dando um grande e significativo salto.

E para atender aos pedidos, daremos início nesta edição a uma coluna dedicada à alimentação vegetariana, com várias dicas e receitas, esperando que estas informações tragam um acréscimo para os que já possuem esta filosofia de vida e que sejam um sedutor convite e grande estímulo para os que a namoram de longe.

Encerro com o que ouvi outro dia de um amoroso vegetariano, falando a respeito de como escolhe o que deve comer: "Se eu for pegar e fugir, não como".
É isso aí...

Om Shanti .:. Paula Salotti


Setembro/Outubro - 2004 - Ano X - N. 95

UNIVERSUS É 10!
DEZ ANOS NA ESTRADA

Mais um ano, agora 10 anos!

O eterno retorno, o eterno começo... O Dez, o Círculo e o Ponto, a Espiral, a Árvore da Vida, a Roda da Fortuna...Totalidade.

E estamos na Roda, na Roda da Vida que gira incessantemente. Altos e baixos, alegrias e tristezas, paixões e decepções, enganos e acertos. A Roda gira e o bom vira mau, mas o tempo passa e o mal vira bem outra vez. Isso também passa, tudo passa e passa com rapidez.

Nesse mundo dual, o grande achado é o centro da roda, o eixo, de onde podemos observar serenos tantas oscilações. O caminho do centro, o caminho do meio. O caminho da luz.

E antes que a roda gire e leve o tempo, deixamos aqui registrada nossa infinita gratidão a todos que nos acompanham desde o início da trajetória e aos que foram juntando-se ao longo do caminho. Leitores, anunciantes, distribuidores - parceiros nos ideais, colaboradores silenciosos na construção de cada edição. Juntos formamos uma equipe. Uma equipe unida não fisicamente, mas unida por elos ainda mais fortes e especiais.

Esperamos que todas as informações que preenchem as páginas do Universus representem sempre um estímulo para que cada um aproxime-se um pouco mais do próprio centro, da própria Luz!


Julho/Agosto - 2004 - Ano X - N. 94

O Dia Fora do Tempo

Os estudiosos do Calendário Maia comemoram no dia 25 de julho "O Dia Fora do Tempo". Para os que nunca tiveram contato com esse novo calendário, apresentamos nesta edição uma matéria bastante interessante e esclarecedora sobre o chamando "Calendário da Paz".

Percebemos que um número cada vez maior de pessoas interessa-se por novas abordagens do tempo. Estamos começando de fato a entender que o tempo condicionado à terceira dimensão apenas escraviza, limita, envelhece. Abrir a consciência para outras medidas de tempo, outras dimensões de consciência, liberta, desperta, transforma.

O tempo, quando visto da terceira dimensão, nos prende a uma seqüência linear que nos faz classificar todas as experiências dentro da lógica cartesiana que necessita sempre de causas para os seus efeitos. Passado, presente e futuro! Futuro, palavra mágica que para alguns desperta angústia, para outros, esperança, expectativa, ansiedade, sonhos, fantasias. Futuro, idéia que nos induz a buscar oráculos, videntes, estatísticas. Antigamente, consultávamos oráculos apenas interessados nas "previsões". O futuro, algo distante e desvinculado dos nossos atos do presente, quando profetizado deveria ser aceito com resignação e passividade. Mas, consultando ou não oráculos, sempre estamos tentando decifrar, descobrir e antecipar os próximos capítulos da vida.

Hoje em dia, cada vez mais pessoas entendem que o futuro é mera conseqüência do presente, do temperamento, das atitudes, e que esses fatores estão escrevendo a nossa história a cada momento, nos fazendo entender que a nossa realidade existe de acordo com nosso estado de consciência.

Conhecendo o presente podemos facilmente prever o futuro, ou como dizia Jung: "O destino do homem é o seu temperamento".

Quando aprisionados à terceira dimensão, reagimos com um sorriso cínico toda vez que uma realidade diferente se manifesta. Seja no plano do conhecimento ou dos fatos, o desconhecido ameaça o conforto e a pseudo garantia que as idéias e estilos de vida já "testados e aprovados" nos trazem.

Estar fora do tempo, procurar por outro tempo, ir além do tempo é quebrar paradigmas, romper condicionamentos, jogar fora garantias e certezas. É esvaziar para receber. Compreender sem entender.

Om Shanti .:. Paula Salotti


Maio/Junho - 2004 - Ano X - N. 93

A Família Espiritual

No mês de maio falamos e ouvimos muito falar em mães, família, casamentos. Uma avalanche de propaganda nos transforma novamente em robôs agitados, comandados pelos apelos de um mundo onde a grande satisfação está sempre vinculada à próxima aquisição.

Mas a satisfação é ilusória e, enquanto uma real experiência de amor não se faz presente, o vazio logo volta a manifestar-se.

Num mundo onde a solidão é flagrante em cada olhar, encontrar a família espiritual é o único conforto real, a única possibilidade de acolhimento para a alma que, só assim, se sentirá compreendida em seus anseios mais profundos.

Na família espiritual, valores como respeito, compaixão e aceitação são os únicos conhecidos.

Na família espiritual cada um que chega, por afinidade, ocupa um lugar de destaque, um local nobre dentro de cada coração.

Na família espiritual, experimentamos de fato a plenitude e o preenchimento, e entendemos o que é "estar por prazer - querer - não por dever".

Esses momentos são raros, esses momentos são únicos. Ao encontrar a sua abra o seu coração, torne-o disponível, para que as afinidades energéticas das almas que vibram na mesma sintonia formem juntas um mesmo corpo de luz, criando uma única família cósmica!

Om Shanti .:. Paula Salotti


Março/Abril - 2004 - Ano X - N. 92

Salve o Ano solar!
20 de março – 3:37hs

Astrologicamente falando, sempre por volta do dia 20 de março em nosso atual calendário, acontece o ingresso do sol no signo de Áries dando início ao ciclo que chamamos de ano.
Áries representa o início de tudo, a semente sendo lançada sem garantias ou certezas que será fecundada. Por isso traz a ousadia e a coragem necessárias para arriscarmos empreendimentos e lançarmos idéias, motivados apenas por um extremo otimismo e pela capacidade de mudarmos o rumo, caso os objetivos não aconteçam conforme o planejado.
No dia 20 comemoramos o nosso Reveillón, lançando novas sementes e saudando o Deus Mercúrio, senhor de 2004!
Mais do que fatos e previsões, o planeta regente do ano traz uma mensagem coletiva, e Mercúrio, senhor da comunicação, do raciocínio rápido e esperto, do movimento, agilidade e destreza, nos convida a despertar essas qualidades.
Inspirados no Beija Flor que poliniza e, aleatoriamente, espalha a semente da vida, incorporamos a função mais importante de Mercúrio: espalhar, generosamente, idéias ao vento. Idéias que ao serem lançadas cairão em mentes que as fecundarão, sendo transformadas, incrementadas, melhoradas.
Nossa atual edição é dedicada ao tradutor de idéias, de sonhos, projetos e visões, fabricante de pensamentos, o Deus da palavra...

Palavra escrita, palavra falada, palavra sonhada,
Tantas palavras
Palavras ditas, mal-ditas, não ditas, bem-ditas
Palavras que ensinam, que enganam, que fazem e desfazem,
Estimulam e enfraquecem
Palavras roubadas, adaptadas.
Piadas, trocadilhos, plágios
Palavras que escapam, atropelam,
Amontoado de letras que, sem a receita certa, ficam sem gosto, mal temperadas, sem sentido, atrapalhadas
E com a boa receita, com a dose certa da mistura de pensamentos produzidos, emprestados, lidos, aprendidos...
Pronto! Um banquete de idéias. Bem servido, divertido, atrevido.
Em nosso cardápio de hoje palavras deliciosas, picantes, bem temperadas, fresquinhas... aproveitem a safra!

Paula Salotti


Janeiro/Fevereiro - 2004 - Ano X - N. 91

Quando criamos cada edição do jornal, a sensação de uma nova etapa se faz presente, como a que sentimos diante do desafio de um novo ciclo que chega. Ano Novo, e estamos nós tentando rescrever a vida, sentindo que uma oportunidade de recomeço e renovação precisa ser aproveitada.

O início de cada edição do jornal nos traz os mesmos sentimentos contraditórios que surgem quando estamos diante de cada nova etapa da vida: a intrigante mistura de excitação, desafio, temor, planos, interrogações. Vamos deletando o jornal anterior esperando que o novo número nasça - melhor, mais experiente, mais interessante. O ponto final em cada edição, a tecla que encerra naquele mês o trabalho, parece um passe de mágica que nos faz esquecer as angústias que acompanharam o processo: as páginas em branco que não se preenchiam, os erros e as mudanças de última hora que nos obrigaram a demorar mais que o previsto....

E tudo inicia-se novamente na próxima edição. Os mesmos sentimentos, as mesmas inquietudes, o mesmo prazer ao olharmos as páginas novamente tornando-se vazias, ansiosas pela nova informação que irão abrigar.

Envolvidos pelo sentimento do novo ciclo que chega, é o que desejamos a todos: Vontade e Coragem para que rescrevam a vida, deletando tudo o que foi mal escrito, já que só assim infinitas páginas em branco estarão disponíveis para serem preenchidas com novas e emocionantes histórias!

Um Maravilhoso 2004!!!

Om Shanti .:. Paula Salotti

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O TEMPO
Carlos Drummond de Andrade

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
A que se deu o nome de ano,
Foi um indivíduo genial!
Industrializou a esperança,
Fazendo-a funcionar
No limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
Se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
E tudo começa outra vez,
Com outro número e outra vontade de acreditar
Que daqui para diante vai ser diferente.


Novembro/Dezembro - 2003 - Ano X - N. 90

"A Grande Invocação pertence a toda humanidade e não a alguma religião ou grupo. É uma oração mundial, traduzida em mais de 70 línguas e dialetos. Nas traduções dos Budistas, Hinduístas, Muçulmanos e Judeus, Aquele que é esperado é conhecido como o Senhor Maitreya, Krishna, Imam Mahdi e Messias, respectivamente".

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A mais perfeita tradução para nossa era aquariana, a Grande Invocação é uma oração universal que pertence a todos e respeita todas as crenças, reverenciando o Amor e a Luz, mostrando a importância da rede energética e universal que é criada quando juntos oramos, independente de crenças, mestres ou religiões. A vibração da paz que tanto almejamos depende do esforço individual. Quanto mais seres estiverem empenhados em somar energia nessa corrente de luz, mais suave será esse período de transição.

Saudando o final de mais um ciclo, nos unimos à grande corrente que é formada a cada final de ano. Que possamos nos lembrar o outro lado das festas, celebrando a consciência do Cristo presente em nossos corações e reconhecer o Cristo em cada ser ao nosso lado. Desejamos que cada afirmação dessa oração torne-se uma realidade. "O Cristo está na Terra" - em cada um de nós, pois só com essa consciência, "A Luz, o Amor e o Poder restabelecem seu plano na Terra".

Om Shanti .:. Paula Salotti

A GRANDE INVOCAÇÃO

Do ponto de luz na mente de Deus
Flui luz às mentes dos homens.
A luz desce à Terra.
Do ponto de Amor no coração de Deus
Flui amor aos corações dos homens.
O Cristo está na Terra.
Do centro onde a vontade de Deus é conhecida
Guia o propósito das pequenas vontades dos homens.
O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Do centro a que chamamos raça dos homens,
Se desenvolve o plano de Amor e Luz.
E fecha-se, para sempre, a porta onde mora o mal.
A Luz, o Amor e o Poder restabelecem seu plano na Terra.


Setembro/Outubro - 2003 - Ano X - N. 89

NOVE ANOS!

Muitos "inflamados protestos" responderam a pesquisa(!?) que tentou provar(!!?) que a astrologia não funciona(!?!!). A Astrologia ocupa e ocupará sempre o seu merecido espaço em todas as culturas. Como todo saber - sagrado saber - independe de crenças, modismos, mídia. Sua importância não será jamais atingida pelas oscilações do gosto humano.

Nós, que experimentamos os seus encantos, que crescemos com sua sabedoria, que fomos tocados pela sua poesia, sempre estaremos empenhados em lutar para que esta linguagem esteja sempre presente, abrindo caminhos para que mais e mais pessoas tenham um fácil acesso a esse diálogo com os deuses.

Os que já foram tocados pela força e profundidade do saber astrológico olham com desdém para argumentos nitidamente tendenciosos e sensacionalistas. Sabemos que tentar encaixar a arte e o abstrato num raciocínio lógico e estatístico mostra total falta de percepção e sabedoria. Assim como todo o saber abstrato, a Astrologia está além das planilhas e mentes concretas, ávidas em provar e comprovar, desesperadas por certezas que acabam servindo apenas para alimentar a segurança dos seus conceitos.

A prisão do ego sempre nos traz a necessidade provar a existência com opiniões e posturas maniqueístas - se não for certo só pode ser errado! Mas o mundo dos símbolos está além das teorias que servem apenas para fortalecer condicionamentos. Aventurar-se neste mundo é ousar um mergulho numa dimensão que está além das certezas, lógicas e conceitos; é lidar com o imprevisível da natureza, as surpresas da alma humana que insiste em contrariar estatísticas e fórmulas. E aqueles que entregam-se de fato a esse mergulho, ao ouvirem tal afirmação "pesquisa mostra que astrologia não funciona" só têm a responder: e daí?

E assim seguimos, aplaudindo as diferenças que no mínimo quebram a monotonia e desacomodam a mente.

Mas o mês é de aniversário. UNIVERSUS completa NOVE ANOS!

Celebramos a chegada do nono ano buscando decifrar os mistérios do número 9 e encontramos os caminhos iniciáticos que nos preparam para o ingresso no novo ciclo. No Tarot, o Eremita retrata a profunda solidão da maturidade, o prazer de estar só mas plenamente acompanhado por tudo que pulsa vida no universo.

Neste ciclo aprendemos a despertar a própria luz quando as luzes de fora se apagam ou perdem o encanto, tornando o interior mais sedutor e convidativo.

Como novidade de aniversário, UNIVERSUS presenteia os leitores com a nova coluna "Yoga & Saúde"- para ler e colecionar - que trará a cada edição uma aula temática de Yoga, com dicas de posturas, respiração, alimentação e saúde.

Nove Anos! Desejamos que a luz interior simbolizada pela lanterna do Eremita possa brilhar com mais intensidade em cada coração, e que a união de todos esses corações acesos ilumine este espaço sagrado que habitamos, para que a consciência de que a nossa Pátria é o nosso Universo fique cada dia mais viva em nossas ações!

Om Shanti .:. Paula Salotti


Julho/Agosto- 2003 - Ano X - N. 88

Tudo muda o tempo todo, no mundo.... (que bom!!!)

Há quase um ano, nosso editorial protestava sobre uma matéria publicada na revista Veja, onde a maioria das práticas alternativas eram ridicularizadas através de uma exposição deturpada e tendenciosa. Hoje, quase um ano depois, nosso editorial tem o prazer de registrar o grande destaque dado a mesma revista para as práticas alternativas na matéria "O Corpo é o espelho da mente", da edição de 28 maio de 2003.

Em uma matéria de capa, que ocupou oito páginas da revista, foram mostrados os benefícios do yoga, meditação e práticas afins, com o respaldo que o nosso mundo ocidental mais necessita: o científico. Na matéria, o resultado de pesquisas e opiniões "gabaritadas" concluem tudo o que os orientais - sem aparelhos ou estatísticas - já sabiam e incluíam em seus hábitos de vida há quase cinco mil anos.

Todos os que se dedicam a estas atividades sabem que tais comprovações acabam sendo desnecessárias, já que sentimos na prática a validade, efeitos e resultados, o que nos faz dispensar teorias e "relatórios". Mas as manchetes que enaltecem e propagam o alternativo são as manchetes da nova era aquariana - e não podemos deixar de registrar cada destaque da mídia convencional, ainda presa aos moldes e padrões de uma era que se despede, saudando o nascimento de uma nova realidade!

Cabe aqui colocar as palavras que finalizaram nosso editorial citado, já que continuam simbolizando nossos objetivos, caminhos e ideais:

"Nós que trabalhamos com o chamado "alternativo" seremos sempre alvo das mentes mais fechadas, preocupadas apenas em manter intactas suas pseudo verdades e interesses. Buscar o alternativo é buscar novas opções, entrando em sintonia com uma das leis mais básicas da natureza: a renovação. Os que buscam, inovam e pesquisam, abertos às infinitas possibilidades oferecidas pelo universo - sejam do meio científico ou esotérico - são os verdadeiros trabalhadores dessa Nova Era; Era que quando chegar definitivamente dissolverá fronteiras físicas e mentais, diluindo a importâncias de papéis, certificados ou graduações e revelando a real intenção e missão de cada um.

Todos empenhados em melhorar o planeta, seja por meios alternativos ou científicos, estão, mesmo que não saibam, unidos por uma única e magistral causa. Somos os soldados dessa grande missão. Somos trabalhadores da luz e nossa missão nesse momento é transformar radicalmente a freqüência do planeta para que este possa vibrar definitivamente na luz. Começamos do micro para o macro, cultivando em nossas vidas essas sementes de luz. A luz é consciência, a luz é energia, a luz é esclarecimento."

Om Shanti .:. Paula Salotti


Maio/Junho- 2003 - Ano X - N. 87

A RODA DO SAMSARA

Faz enorme sucesso na mídia o filme "Samsara", que conta a história de um monge budista meditante dos Himalaias, que termina por sucumbir aos prazeres mundanos trazidos por sua amada. Na história, o jovem monge budista luta há 3 anos, solitariamente, nas montanhas do Himalaia, para reencontrar a Iluminação Espiritual, renunciando aos prazeres e sensações materiais. Mas de volta ao mosteiro, ele conhece a filha de um camponês que lhe desperta os primeiros desejos sexuais. Então, ele decide largar a vida de monge e casar com a moça, indo de um extremo a outro.

Samsara retrata a "Roda da Vida"; mostra a conseqüência de sermos humanos e polarizados, e, por conta disso, expõe como as nossas buscas da espiritualidade, freqüentemente, sucumbem ao jugo da matéria. O Samsara é inexorável, é a roda da vida e de inúmeras reencarnações, que, na busca do substrato sublime da alma, acaba por mergulhar nas águas sedutoras da matéria...

Viver em círculos, vivenciar experiências repetitivas, viver situações conhecidas com pessoas diferentes, voltar ao conhecido... Tudo isso é o aprendizado do Samsara, a "Roda da Vida".

A reta evolutiva só poderá ser conquistada após ultrapassar essa lição do Samsara.

Cada um de nós tem, a cada momento, que optar pela segurança do Samsara ou pela insegurança da entrega. Mas este último caminho só poderá ser seguido por aqueles que compreenderam, interior e exteriormente, que na trilha conhecida do Samsara tudo que pode-se obter é o retorno, e na trilha desconhecida do Dharma, tudo que podem obter é o novo. O retorno forma a linha curva do Samsara. O Novo delineia a linha reta do Dharma.

Talvez seja preciso andar muitas vezes na roda, rodar, rodar, rodar a velocidades cada vez maiores, infinitas, até voltar finalmente à origem, ao centro na velocidade zero, e, talvez aí, pegar carona na reta que escapa ao Samsara, o Dharma.

Recorrência ou Transcendência... Samsara ou Dharma... Só o seu livre arbítrio pode determinar o seu momento nesta vida.

Seja você um viajante no trem do Samsara ou um sobrevivente na nave do Dharma, você irá chegar ao destino, seja caminhando em círculos ou pegando a linha reta.

Samsara e Dharma são suas opções nesta vida, mas seu destino é um só e está sob o comando do seu Cristo Interno. Ouça-o! Se seu ouvido interior for desenvolvido o suficiente, você receberá as instruções corretas para escapar da Roda do Samsara e pegar a linha reta do Dharma.

Otávio Azevedo


Março/Abril - 2003 - Ano X - N. 86

A ARTE DE PARAR PELA PAZ

Compromissos, agitação, solicitações de dentro e de fora, de hoje, de ontem e de amanhã ... O ano mal começou e já caminha numa velocidade assustadora, onde a corrida contra o tempo se mostra cada vez mais intensa. O que antes fazia parte da rotina torna-se artigo de luxo. Coisas simples como ler um jornal, brincar com os filhos, ou simplesmente olhar pela janela, admirar a natureza, ver o tempo passar...

Talvez o grande desafio desse momento seja o aprendizado da arte de parar. Aprender a "escorregar para o agora" sempre que insistirmos em fugir do presente. Parar para resgatar o que tem sido deixado de lado porque precisamos estar sempre correndo para acumular, seduzidos pelo feitiço ilusório de um futuro que quando conquistado aumenta ainda mais o vazio e a insatisfação.

Estamos vivendo sob a ameaça da guerra, num mundo em crise refletindo a doença coletiva do século - a ânsia de poder, a ganância - que atropela projetos, interrompe vidas, estilhaça sonhos.

Mas percebemos claramente as forças contrárias se opondo - na iminência da guerra, o mundo se une clamando pela paz. Manifestações diversas de grupos de místicos, políticos, crianças, trazendo a esperança de que a força sinistra da destruição possa ser neutralizada pela corrente de amor que é lançada a cada reunião, passeata ou movimento em nome da harmonia e tolerância.

Não tem jeito, sabemos que vivemos no plano da dualidade onde o bem e o mal estarão sempre se atraindo, onde guerra e paz serão sempre experiências necessárias ao aprendizado. Mas percebemos também que nesse momento de transição os extremos se acentuam, exigindo posturas ativas, não sendo mais possível ficarmos em cima do muro, alienados de tudo o que se passa à nossa volta. O momento pede que todos centrem-se no presente, assumam seus postos, unam-se aos seus grupos e escolham a guerra ou a paz, a luz ou as sombras.

Unimos nossos corações à energia coletiva que está se criando para que o planeta passe por essa importante transição, vibrando no amor e na luz. Temos certeza que se todos somarem suas intenções nesse propósito - construindo a paz nos pequenos atos, nas palavras e no coração - a corrente se fortalecerá e a ascensão coletiva será conquistada pelo mérito de cada um de nós.

Om Shanti .:. Paula Salotti


Janeiro/Fevereiro - 2003 - Ano X - N. 85

O ENDEREÇO DA PAZ

No conturbado e contraditório momento em que vivemos a busca pela paz é frenética. Buscamos locais que nos tragam paz, livros e cursos que nos ensinem a ter paz, tentamos comprar passaportes que nos acenam com a promessa de que em algum local ela nos espera e, na maioria das vezes, nos damos conta que a tão almejada paz fica cada vez mais distante.

Estamos aos poucos aprendendo que o endereço do espaço mais sagrado que existe fica mais perto do que imaginamos: ele fica em nosso interior! Acessando esse espaço encontramos um vasto e rico mundo de possibilidades e criação. Ao mergulharmos nesse espaço sagrado descobrimos um solo fértil que se cultivado produzirá as mais lindas flores e frutos que embelezam e nutrem a alma. Esse espaço interior, pleno do mais sonoro silêncio, produz a mais bela melodia - inspirada melodia que faz com que nosso ser se mova continuamente na dança da alegria, fluindo sem resistência no curso do rio da vida.

Esse espaço que existe no interior de cada ser é a conexão com o divino, e nele estando podemos observar com alegria e compaixão esta história fantástica da qual somos personagens e autores.

Desse espaço a visão é ampla. Desse espaço a perspectiva muda. Acessar esse espaço é fácil. Mais fácil do que imaginamos. Como? Fechando os olhos do corpo, abrindo os olhos da alma...

Alguns chamam essa viagem de meditação, mas não importa o nome que se dê. O que importa é sentir a alma sorrir, pulsando na mesma sintonia do universo. Aí sim a paz tão almejada deixará de ser um desejo, uma utopia, e será verdadeiramente sentida por cada célula, por cada átomo do ser.

E é isso que desejamos a todos nesse novo ciclo que se inicia: que cada um encontre o tão almejado e exclusivo endereço do seu núcleo de Paz!

Paula Salotti


Novembro/Dezembro - 2002 - Ano 9 - N. 84

ERROS & ACERTOS

Na edição passada, Universus recebeu alguns puxões de orelha. Pequenos grandes erros saltaram aos olhos dos atentos leitores, gerando variadas manifestações. Algumas cartas, e-mails e telefonemas chegaram a nós apontando estes pequenos erros que na pressa e correria do fechamento de cada edição insistem em escapar aos nossos olhos. Nesses momentos percebemos como são necessários os erros, já que só eles nos indicam o caminho dos acertos. Sinais vermelhos que nos motivam a parar, rever e melhorar.

Portanto, esse editorial é dedicado ao agradecimento a todos os amigos leitores que se preocuparam em nos escrever, telefonar, apontando construtivamente as traiçoeiras falhas. É importante que tenham a certeza que sentimos cada leitor que se manifestou como nossos verdadeiros colaboradores, interessados e empenhados em construir conosco cada edição do jornal. Isso nos sensibiliza e motiva, e desejamos de coração que sempre possa haver nessa relação de Universus com seus leitores a total abertura e troca. Afinal, o que há de melhor em qualquer relacionamento senão a liberdade? Liberdade de expressão - expressão do ser, expressão das idéias, expressão da alma, do coração. E é em nome dessa liberdade do coração que produzimos esta edição do Universus. Curioso, é que ao fecharmos este número, percebemos que várias matérias tinham em seus títulos a palavra AMOR. Presente do acaso - tantos temas diferentes, mas com uma essência comum - o que nos fez ter a certeza que esta edição está cheia de sementes. Em todas as matérias, falamos muito em amor, em liberdade, em amizade. Nossa pauta do mês, nossa pauta de vida. Reforçando o desejo que Universus possa ser sempre um veículo livre da expressão de idéias - diversas, variadas, instigantes idéias. Que todas essas idéias aqui impressas possam cumprir a função maior que é nos fazer pensar, questionar, refletir.

Se é para apoiar, apoiamos a liberdade, se é para escolher, escolhemos a amizade! Para que essa ainda invisível teia que nos une fortaleça-se mais e mais, aproximando todos os corações que vibram na mesma freqüência.

Om Shanti .:. Paula Salotti


Setembro/Outubro - 2002 - Ano 9 - N. 83

OITO ANOS!

Oito Anos!!!!

Em setembro de 1994 quando o primeiro número de Universus chegou prontinho... quanta alegria! Um filho que nascia, preenchendo nossos corações com alegria, emoção e principalmente trazendo a esperança - sentimento sempre presente em todo o nascimento. Esperança de vê-lo crescer, conquistar seu espaço, aprender, evoluir.

Na comemoração desses oito anos a mesma esperança continua presente - esperança de atingirmos nosso propósito de fazer do Universus um canal de comunicação da alma - sendo sempre a grande motivação para construirmos cada edição do jornal. A evolução é eterna, o caminho não tem fim, e ao completarmos oito anos, aprendemos com o símbolo do infinito, que nos traz a consciência da eternidade em cada momento do presente.

Na astrologia, cada aniversário corresponde a um ciclo do sol que se completa, um ciclo do sol que se inicia. Comemorar o aniversario é comemorar o ingresso de um ano solar. A vida que se renova, a luz que se expande e ilumina ainda mais a trajetória... e sempre a esperança... que neste novo ciclo possamos crescer, evoluir, mudar, entrando sempre em sintonia com as novas propostas, antenados com a nova era que chega inquieta e acelerada.

Fazer um jornal alternativo é colocar o coração em cada letra, palavra, imagem, texto. E nosso coração está aí, impresso, podendo ser aberto a cada página, sendo alimentado com a troca com os colaboradores, leitores, anunciantes, amigos e, especialmente, com a parceria feita com aqueles que nunca vimos ou veremos fisicamente, mas que na sintonia da alma compartilham os mesmos ideais.

E ao completarmos mais esse ciclo, só nos resta dizer com o coração: muito obrigado!!!

Om Shanti .:. Paula Salotti


Julho/Agosto - 2002 - Ano 9 - N. 82

VIDA ETERNA AO EXEMPLO DE AMOR!

Porta voz das dimensões superiores, mensageiro da esperança, exemplo de bondade, pregador da fé.
Nosso editorial do mês faz uma homenagem a esse grande ser, que na passagem pelo nosso planeta semeou luz, amor e caridade.
Que possamos continuar cultivando tais sementes - como tantos já o fazem - disseminando suas lições de altruísmo e humildade, incorporando aos nossos atos a mais pura expressão da bondade irradiada continuamente do seu coração.
Cada ser de luz que por aqui passa nos presenteia com a mais preciosa herança - exemplos vivos de vidas dedicadas ao bem, a luz, a evolução. E para honrar tais presentes nos comprometemos a dar vida a cada ensinamento, obra, mensagem, para que todo exemplo de amor vença e prevaleça!

Om Shanti .:. Paula Salotti

Carta aos Velhos

Carta aos Velhos

Vens de longe no caminho,
Exausto de combater.
Sim,meu irmão,a velhice
É a hora do entardecer.
Por vezes,é uma hora triste
De amargurosas lembranças
Do barco em que viajavas,
Entre sonhos e esperanças.
Da culminância do monte,
Examinas a paisagem,
E deploras os desvios
De quem começa a viagem.
Às vezes te calas,triste.
Ninguém te quer atender,
E choras porque conheces
Os tóxicos do prazer.
Mas nunca te desanimes,
Prossegue em tua missão,
Continua esclarecendo
O mundo de provação.
Não desesperes, portanto,
Antigamente também
Eras chamado à verdade
E não ouviste ninguém.
Quebrastes serros e atalhos,
Sem olhar a consequência.
Sofreste muito e ganhaste
O ouro da experiência.
Perdoa.Quem viveu muito
Tem muita compreensão.
Compreensão é bondade
Que esclarece com perdão.
Meninos,moços e velhos, Nas lutas da humanidade,
São três expressões ligeiras
De um dia da eternidade...


Maio/Junho - 2002 - Ano 9 - N. 81

A SERVIÇO DA LUZ

Recentemente algumas revistas tentaram mais uma vez denegrir a imagem das terapias e terapeutas alternativos. Embasadas no velho e conhecido discurso "científico", tais opiniões sempre são apresentadas como verdades inquestionáveis, atacando a tudo e a todos de forma leviana e irresponsável. Com enfoques nitidamente parciais - a maioria servindo aos interesses dos profissionais que sentem-se ameaçados com o crescimento e aceitação do alternativos - manipulam depoimentos e fatos para que estes lhes sirvam de "provas". Ora, casos desastrosos acontecem em todas as áreas e maus profissionais também. Nem por isso a medicina ou o direito algum dia foram denegridos em função da existência de médicos ou advogados negligentes.

Nós que trabalhamos com o chamado "alternativo" seremos sempre alvo das mentes mais fechadas, preocupadas apenas em manter intactas suas pseudo verdades e interesses. Buscar o alternativo é buscar novas opções, entrando em sintonia com uma das leis mais básicas da natureza: a renovação. Os que buscam, inovam e pesquisam, abertos às infinitas possibilidades oferecidas pelo universo - sejam do meio científico ou esotérico - são os verdadeiros trabalhadores dessa Nova Era; Era que quando chegar definitivamente dissolverá fronteiras físicas e mentais, diluindo a importâncias de papéis, certificados ou graduações e revelando a real intenção e missão de cada um.

Todos empenhados em melhorar o planeta, seja por meios alternativos ou científicos, estão, mesmo que não saibam, unidos por uma única e magistral causa. Somos os soldados dessa grande missão. Somos trabalhadores da luz e nossa missão nesse momento é transformar radicalmente a freqüência do planeta para que este possa vibrar definitivamente na luz. Começamos do micro para o macro, cultivando em nossas vidas essas sementes de luz. A luz é consciência, a luz é energia, a luz é esclarecimento.

Como é dito naquela sábia frase: "os fantasmas sempre desaparecem quando as luzes se acendem" - só a luz dissipa a escuridão, só o conhecimento dissolve a ignorância e somente atitudes amorosas neutralizam agressões. Por isso "contra-atacar os ataques" alimentará apenas um círculo vicioso e sem fim. A grande resposta será continuarmos acendendo as luzes, exercendo nossa missão com nobreza e alegria, para que espontaneamente a escuridão vá sendo substituída pela claridade. Quando todas as luzes estiverem acesas a verdade se revelará. Mas todas as luzes somente se acenderão quando cada um de nós estiver totalmente consciente do trabalho que veio realizar. Com amor e entrega. A serviço da luz.

Om Shanti .:. Paula Salotti


Março/Abril - 2002 - Ano 9 - N. 80

FELIZ ANO NOVO!

Enfim o ano começa! Sempre comentamos que a vida só volta ao "normal" após o ciclo natal/férias/carnaval. Mas os que conhecem os caminhos dos astros, sabem que somente em março (neste ano no dia 20, às 16h16m) com a entrada do sol no signo de Áries é que podemos finalmente dizer: Feliz Ano Novo! É o Reveillon astrológicamente correto e devemos aproveitar esta data para comemorar e brindar, abrindo as portas para o novo e convidando para fazer parte da nossa vida o que há de melhor na natureza.

A entrada do sol em Áries marca o início de um novo ciclo, e Áries, que simboliza o primeiro impulso, a centelha da vida, nos presenteia com toda a sua força de ação. Escolha um momento deste dia para decidir mudar a sua vida, com ousadia e coragem, envolvendo-se totalmente pelos princípios arianos que não permitem que nenhuma energia ou situação estagnada permaneça em seu caminho. As grandes chaves são: entusiasmo, ousadia e ação!

Comemorando a chegada do novo ciclo, o Jornal Universus presenteia os seus leitores com mais dicas astrológicas. A partir desta edição teremos a coluna "De Bem com a Lua", que mostrará as tabelas do mês com a Lua Fora de Curso - grande sucesso entre os leitores - e as tabelas com a data, horário e signo das Fases da Lua. Teremos também a volta de uma coluna muito apreciada: "Com a palavra", onde a cada mês colocaremos fragmentos dos ensinamentos dos grandes mestres que passaram pelo nosso planeta.
E isso é só o começo. Aguardem novas e interessantes novidades nas próximas edições.

No mais, toda a equipe do Jornal Universus deseja um Feliz Ano Novo a todos os amigos leitores, com a certeza de que todos conseguirão atingir suas metas, ou mesmo lutar por elas - o que já representa uma grande vitória!

Om Shanti .:. Paula Salotti


Janeiro/Fevereiro - 2002 - Ano 9 - N. 79

Falou amizade...!

Enquanto sentimos lentamente a aproximação da Era de Aquário, vamos sendo convidados a despertar novas dimensões da nossa consciência. Os aconteci-mentos mundiais colaboram para uma reformulação total dos nossos valores, havendo cada vez menos espaço para posturas alienadas ou indiferentes. No dia 20 de janeiro o Sol entra no signo de aquário, trazendo mais uma vez a oportunidade de nos sintonizarmos com os princípios mais luminosos deste símbolo.

A mensagem de Aquário vem nos trazer um despertar de consciência - consciência cósmica, coletiva, universal. E esse despertar faz aflorar o mais nobre sentimento do reino aquariano - a amizade - sentimento que por ser muitas vezes banalizado acaba perdendo a essência do seu significado.

Aquário nos ensina o verdadeiro sentido da amizade, o nobre sentimento que independe do tempo e transcende o espaço, e que faz com que olhemos a todos a nossa volta como verdadeiros irmãos - irmãos apenas por sermos neste momento filhos da mesma terra, compartilhando nossa condição humana.

Entrando na onda de aquário vamos fazer de 2002 o ano da amizade, recuperando os sentimentos abandonados pelo caminho, esquecidos pela falta de tempo de parar... parar e olhar – olhar e ver – ver e sentir quem está ao seu lado esperando apenas por aquele sorriso de luz!

Em sintonia com o princípio aquariano, abrimos nossos corações para que o aguadeiro derrame sobre nossas vidas mais justiça, amor e fraternidade. Em 2002 e sempre...

Om Shanti .:. Paula Salotti


Novembro/Dezembro - 2001 - Ano 8 - N. 78

SAÚDE DA TERRA, SAÚDE DOS HOMENS

A recente inquietação transmitida pelo antraz merece uma reflexão se considerarmos que nada acontece ao acaso e que todos os fatos encerram uma mensagem oculta.

É uma ironia que o país que engendrou e desenvolveu as armas biológicas seja a primeira vítima do seu caráter insidioso. Por ser o país tecnologicamente mais desenvolvido do planeta, os Estados Unidos deveriam funcionar não apenas como guardião da economia e dos direitos humanos, mas também como um exemplar defensor dos recursos naturais da Terra. É paradoxal que um país tão comprometido com a melhoria da qualidade de vida tenha gerado armas químicas e biológicas, e eventualmente atue na linha contrária a projetos ecológicos, como no caso recente do "Projeto de Quioto". Esse tipo de atitude pode ser observada também em outras partes do mundo.

Nesses momentos de inquietude, deveríamos nos lembrar que a Terra é um grande corpo vivente e nós somos uma espécie de microrganismo que prolifera na sua superfície. E ela tem conosco os mesmos problemas que nós temos com os vírus e bactérias que nos ameaçam. Quando surge um novo microrganismo letal para nós, deveríamos meditar acerca do papel - às vezes também letal - que desempenhamos para com o nosso planeta hospedeiro. Derrama-se óleo nos oceanos, devastam-se florestas, libera-se material radioativo na atmosfera e detritos nos rios, cria-se novos potenciais de destruição nunca visto antes. Por vezes adotamos o papel de bactérias da Terra, apesar de que a grande mãe tem suficiente alimento e amor para continuar nos sustentando, suportando e sobrevivendo.

Sob essa ótica, o antraz é uma espécie de karma. Reflete o descuido do homem com seu lar maior.

Uma lei cósmica afirma que "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima". Isso nos faz crer que a erradicação dos males microscópicos não será encontrada num embate surreal do macro contra o micro, do homem contra o microrganismo patogênicos que o ameaçam, mas numa mudança de atitude para com a mãe Terra. Quando deixar de ser uma ameaça ao maior é possível que o homem se livre da ameaça do menor, e isso é válido tanto individual quanto coletivamente.

Otávio Azevedo


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